quarta-feira, 19 de março de 2014

.Ana Luiza.

Já sabia fazer cara blasé com 5 anos
Mas, danada que só ela, fazia muitas caretas também

Amava se vestir de princesa, e era mesmo
Filha única mimada, e neta exclusiva de um dos lados da família

A pretinha mais linda, dos olhos grandes de brilho único
Cabelos encaracolados e longos, a Capitu quando criança

Vaidosa, adorava brincar com as maquiagens da madrinha
Sombra azul, batom vermelho e esmalte brilhante

As vezes queria tirar os cachos
Deixar o cabelo liso como os da coleguinha

Sapeca teimosa, cheia de amor
Adorava brincar, pintar, pular e rir alto

Eu adorava estar junto
Pulando, pintando e arrumando-a para escolinha

Quando a vi pela última vez, Ana Luiza tinha acabado de completar seus 6 anos, agora está caminhando para os oito. Uma relação terminada, e eu que fui parte da família passo a ser história. Mas nessa fase tudo muda muito rápido, e as memórias se perdem na mesma velocidade.

Não sei se ainda existe debaixo daqueles lindos cabelos a lembrança da tia que a vida levou pra longe. Mas, as vezes, ela me visita nos sonhos, e neles a beijo e abraço tão forte, com tanto amor, que acordo como hoje, com o peito apertado e uma saudade que não cabe em mim.

Sobre ser ex tia, não digo. Como disse Gil, o amor não morre – e sim, se transforma. Assim como o trigo, ele nasce, vive e renasce de outra forma.