terça-feira, 12 de julho de 2016

.viagem presente. Buenos Aires em dois dias.

Já aprendi que as melhores coisas da vida, definitivamente, não são coisas. Por isso, no dia das mães desse ano realizei um sonho que, a princípio, era muito meu: sair do país com a senhora Djanete. A primeira viagem internacional dela. E a primeira que estávamos somente ela, minha irmã e eu. 

Foi surpresa.

Escolhi a Argentina pela facilidade e por ser um país novo para mim também. Procurei as passagens, comprei para dali um mês e mandei a confirmação pro WhatsApp da minha mãe pouco antes do almoço daquele domingo. Quando cheguei em sua casa ela estava meio 'tonta', surpresa e até preocupada com o fato de que iria sair do país. Minha irmã se animou e decidiu ir com a gente. O que foi perfeito.

Com o passar dos dias e as preparações o receio da minha mãe foi dando espaço ao entusiasmo e a ansiedade. E na sexta-feira, 10 de junho de 2016, saímos do Aeroporto Internacional de Guarulhos, por volta das 19h30, rumo a Buenos Aires.





Confesso que dessa vez me preparei menos. Um pouco por ser uma viagem curta, um pouco porque depois dos 15 dias chilenos, viajar para uma metrópole fora do Brasil já não me assusta muito. Fechei apenas a hospedagem. Não planejamos exatamente o que fazer nos dois dias que estaríamos em BsAs, havíamos pesquisados lugares legais para visitar e conversado com alguns amigos. Eu também tinha olhado o valor do Peso Argentino em relação ao real. Eram 4 para 1.

Chegamos lá por volta das 23h, no aeroporto Ezeiza que fica em uma cidade vizinha de Buenos Aires. Estava bem frio. Já sabíamos que teríamos que pegar um táxi, então demos início a saga do câmbio.

Trocar e converter dinheiro sempre será a função chata de qualquer viagem internacional. No Banco Nacional pagaram 3,60. Um tanto abaixo do que eu tinha pesquisado. Mesmo assim era mais vantajoso trocar o real por peso para pagar o táxi. Depois de algumas pesquisas conseguimos, fora saguão do aeroporto, uma viagem por 500 pesos. Dentro do aeroporto o valor era de 580 a 600.

E como toda boa viagem, a primeira sorte. O taxista que levou a gente até o hotel, o senhor Horacio, nos falou sobre a cidade e até desviou um pouco do caminho para nos mostrar o obelisco. Foi onde comecei a fazer uso do meu portuñol e perceber que ele está melhor do que imaginava. 

O hotel reservei pelo booking.com, localizado no centro da cidade, próximo ao metrô e por um valor bom. O quarto estava sempre quentinho. Apenas o café da manhã deixou a desejar. Justo o café da manhã que tanto amo!. rs. Mas ok.

No sábado acordamos cedo, comemos e saímos pela cidade. Decidimos ir primeiro até a Plaza Mayo. 

Pensamos inicialmente em seguir caminhando, mas como o tempo estava curto, logo resolvemos ir de metrô. Foi uma missão um pouco mais difícil do que imaginamos. 


No metrô e bus de BsAs só é possível pagar a passagem através de um cartão (tipo o bilhete único de Sampa), lá não é possível pagar com dinheiro como aqui. A questão foi achar o tal cartão. No metrô não vendia e ninguém sabia nos informar aonde comprar. Fomos caminhando e perguntando em cada loja até achar uma banca de jornal que vendia. Ufa! Entramos no primeiro metrô que vimos e conseguimos carregar o cartão.


Depois que embarcamos, foi rápido até a Plaza Mayo, onde está a Casa Rosada, museu e sede da presidência. Como não havíamos feito o cadastro no site não podíamos entrar. Então seguimos para conhecer o Puerto Madero. 


Caminhamos bastante. O lugar é bem bonito, e no sábado de manhã estava meio vazio. Encontramos uma cabine para auxilio à turistas. Fomos nos informar aonde poderíamos fazer o câmbio de dinheiro: Rua Florida, com pessoas comuns, porque sábado as casas de câmbio não funcionam. Nos informamos e também conseguimos preencher o cadastro para fazer a visita guiada na Casa Rosada na parte da tarde.




Caminhamos.

Na Florida pessoas gritando os valores do câmbio. Muita gente e muito comércio. Trocamos dinheiro e também compramos, com um brasileiro depois de algumas pesquisas, um show de tango no Romero Manzi, com direito a jantar e bebida.


Depois disso tivemos que comer correndo.  Na Casa Rosada conhecemos parte da história arquitetônica e política de BsAs. Voltamos para o hotel para nos arrumarmos para o tango. Um carro foi nos buscar às 20h.


Foi lindo, foi a realização de um sonho ver um show de tango na Argentina. Comemos bem, bebemos vinho e vimos músicos e dançarinos profissionais no palco. Estar ali com minha mãe e irmã já era suficiente para valer a viagem.

Pensamos em ir para uma balada, eu bem que queria mas estava morta e com muiiiiito frio. A mais animada, menos cansada era minha mãe. É disso que falam sobre a idade estar no espírito. É, não deu. A balada ficou por conta dos sonhos num quarto bem quentinho.


Para o domingo programamos de conhecer a flor gigante de metal que abre com o sol e fecha a noite, a famosa Floralis generica. Depois conhecer o estádio do Boca e o Cassino. Foi um dia loooongo.

Decidimos fazer tudo de transporte público. Caminhamos um montão.



A flor é linda de viver! Valeu a caminhada de 30min, depois de desembarcar na estação mais "próxima". De lá decidimos ir para o Boca. Foi outro rolê até conseguir achar um lugar para recarregar o cartão. Quando conseguimos, pegamos um bus até próximo do estádio. Caminhamos por aquela região um tanto apreensivas, mas chegamos no estádio que.. é.. bem.. por fora não é tão legal.. rs


Fomos conhecer a Rua Caminito e almoçamos do lado.

Nosso único causo tenso da viagem se deu nesse almoço. O couvert, que aqui em São Paulo desde 2011, caso seja pago, só pode ser servido se o cliente solicitar e apresentando claramente o valor, em BsAs eles servem sem solicitação, mas é pago. Nós não sabíamos e, pior, estamos com pesos contados e, quando fechamos a conta, ela era maior do que nosso dinheiro na moeda local. Mas deu uma confusão. A dona queria que a gente deixasse o celular, minha irmã falando de chamar a polícia, eu argumentando em espanhol, puta da vida. Agora lembrando dou risada, mas na hora foi bem tenso. rs. No fim o garçom tirou peso do bolso para pagar a diferença e nós deixamos reais com ele num valor mais alto do que devíamos. Nunca mais comemos entradas na Argentina antes de perguntar o preço. rs.

Depois da confusão, caminhamos pela costa um pouco e partimos de bus para Puerto Madero. Minha mãe e irmã queria conhecer o Cassino de lá. Eu também. Mas antes fomos tomar um café no Havana da perto da Plaza Mayo. Um delícia de lugar. Andamos, andamos e andamos mais um pouco. No Cassino entramos e ficamos pouco. Ele é deprimente como qualquer outro. Pessoas velhas hipnotizadas pelas máquinas e jogos.


Voltamos para Plaza Mayo lugar que já estávamos nos sentindo em casa. Fomos em uma padaria comer para ir pro hotel. Saímos de lá às 22h e o metrô estava fechado, então pegamos um táxi. No caminho aproveitei para perguntar quando ficaria a corrida até o aeroporto, o valor era mais barato do que com o senhor que nos levou quando chegamos, então fechamos com ele.

Capotamos casadas do fim de semana intenso e cheio de andanças que tivemos. Mas às 03h30 da manhã saímos rumo ao aeroporto.

Foi uma viagem curtinha, mas bem intensa. Foi uma experiência inesquecível para nós, sem dúvida. E apensar de ser nosso país vizinho, as fronteiras que  cruzamos juntas não foram nada curtas.. 

Um feliz todo dia mãe, te amo! E o mundo nos espera!. 

domingo, 10 de julho de 2016

.des.encontro.

Nos devaneios da madrugada me pego pensando em você, em nós e no tempo. 

O tempo medido em horas e também dividido em momentos, fases da vida. 

Talvez agora a gente tenha na prática o que no universo simbólico vivenciamos quando o tempo era o nosso. 

As diferenças que nos uniu, e por vezes separaram, também tiveram no tempo o seu potencializador, aquele que não pode ser medido precisamente. E a maturidade e consciência que com a distância e "o tempo" somos capazes de desenvolver são, de certa maneira, construídas por eles.

E haja paciência para o tempo.

Haja respiração para controlar a ansiedade que consome quando buscamos respostas que não somos capazes de formular. Haja coragem pra conviver com a incerteza.

O tempo não é mais nosso.

Não agora.

Enquanto um dorme o outro levanta, vive parte do dia. É o desencontro em sua forma mais palpável.

E pensar que atravessar um oceano já não significa dificuldade e que as horas nos relógios poderiam passar a serem as mesmas, desperta angustia, porque sei que o tempo, esse que desejo que voe, não deixa, não passa. 

Então aguardo. 

Respiro. 

E desejo que os des.encontros possam transformar no tangível, de forma numérica mesmo, que possam ser muito mais de dez.encontros por esse mundo afora.

terça-feira, 7 de junho de 2016

.sobre o Chile. em cinco partes.

*originalmente postado no facebook a cada 'parte' concluída, entre 13 e 27 de outubro de 2015.

***

.agora o presente de aniversário que ganhei de mim mesma: #partiu rumo ao Chile para minha primeira viagem internacional em carreira solo (ou quase). amigos chilenos, ya voy!


.no aeroporto de Guarulhos.

.resumo de viagem ~ parte 1: cheguei no Chile em 13/out e ainda não tive nada de carreira solo. Assim que desembarquei em Santiago encontrei amigas brasileiras e amigos chilenos. Foram 4 dias de muitas caminhadas e passeios de metrô pela capital, visitando alguns pontos turísticos e outros nem tanto. O clima esteve cambiante, encaramos chuva, sol, calor e muito frio. Torcemos ao lado de chilenos no jogo Chile x Peru (vencemos!), falamos muito portuñol, tomamos pisco e terremoto - mais do que deveria (rsrsrs), bailamos cumbia e demos muitas, mas muitas risadas! Agradeço as lindas Gabriela e Natalia que estão voltando pro Brasil e aos amigos chilenos, principalmente FG Verdugo e Camilo, foi uma linda estadia! Agora sigo sozinha para o sul, inicialmente serão 10 horas de viagem até San Jose de la Mariquina. Eitchaaa lele!

.em Valdívia - com Marco, Martín e Stefi.

.resumo de viagem ~ parte 2: Foram dois dias intensos entre San José de la Mariquina/ Valdivia/ Niebla. Cheguei em San José às 8h do sábado (17) e uma amiga chilena que havia conhecido apenas pela internet me buscou no ponto de bus e, depois de um café da manhã de boas vindas, fomos à praia em Mehuín. Apesar do frio nos divertimos e até colocamos os pés no mar. Foram belos passeios pela região. Aqui que tomei o primeiro vinho da viagem, acompanhado por um delicioso almoço com pescado preparado pela minha anfitriã querida. Em San José tive a sorte de ver uma competição de Cueca e apresentação de Tertulia, danças tipicamente chilenas. Comi sopaipilla com navegado (vinho quente), enquanto escutava músicas locais, inclusive Mapuche. Depois veio Valdivia, que linda, que linda! Caminhamos pela cidade e me apaixonei a cada esquina. Fomos ao Furte de Niebla e fiquei sem ar com a paisagem. Experimentei chicha e comi empanadas. Vou embora completamente enamorada pela Región XIV. Agradeço imensamente a minha família chilena, Stefi MarcosMartin que me recebeu de braços abertos e me fez sentir em casa, de verdade! Agora sigo 5 horas de viagem até Puerto Montt, sem absolutamente nada planejado. Aguardem o próximo episódio. Rs.



.no Vulcão Osorno - com Carolina, Luis e Antonella.


.resumo de viagem ~ parte 3: Puerto Montt/ Puerto Varas/ Vulcão Osorno. Quando cheguei a Puerto Montt na segunda (19) confesso que fiquei meio assustada. O terminal de bus fica na costa e as ruas que seguem em frente parecem com uma espécie de 25 de março à beira-mar. Tratei de me hospedar e ir comer, achei um restaurante PF daqueles sujinhos de centro de cidade grande e arrisquei..(continuo viva..rs). Como cheguei tarde não tinha programado nada além de comprar um passeio e passagem para o próximo destino. Mas acabei encontrando um brasileiro perdido por essas bandas, na verdade não perdido exatamente, está aqui a trabalho, mas não sei explicar o que ele faz, é algo ligado à engenharia marinha de precisão.. (está bem falado Gustavo? hahah). Então nos juntamos e fomos a um pub chamado Haka, com boa música e comida. Na terça foi a vez de fazer um tur e conhecer um pouco mais Puerto Montt, e mudei minha visão sobre a cidade, que sim, tem seu lado hermoso. Depois fomos a Puerto Varas, conhecemos o gigante Lago Llanquihue, subimos o Vulcão Osorno, vistamos Saltos del Río Petrohué e o Lago Todo Los Santos. Vistas incríveis de uma natureza mega preservada. Agradecimentos especial aos queridos LuisCarolina e Antonella, a baby mais linda de todo o Chile, vocês fizeram tudo ser ainda melhor! Principalmente, claro, por terem me apresentado o sanduíche de salmón con poroto verde y aji verde, e pela Kuchen de manzana con murta. 


Ahhh.. Chile.. Meu coração já é só saudade.. Pero, sigo seguindo: agora 4 horas até Pucón!


.no topo do Vulcão Quetrupillán.

.resumo de viagem ~ parte 4: Nem sei quais palavras usar para descrever minha passagem por Pucón. Foi uma das experiências mais lindas da minha vida. Conheci pessoas maravilhosas, desafiei meus limites, vi paisagens surreais e energizei a alma. Para esse resumo, destaco duas experiências, a mais fria e a mais quente que vivi aqui no Chile. A primeira delas foi a ida em grupo ao Volcán Quetrupillán. Foi desafiador, pesado, tenso, dolorido e incrível. 18km percorridos entre a subida e descida. Para chegar ao topo foram pouco mais de cinco horas. Quis desistir algumas vezes, me faltava perna, braço, fôlego.. nos últimos km fizemos várias pausas pequenas, todos estávamos muito cansados. Mas ninguém desistiu e chegamos ao topo, com aquela vista deslumbrante, e depois de cada passo que demos foi algo extremamente transformador. Para descer, em alguns trechos, fizemos skibunda. Senti muito meu joelho, aquela dorzinha de encher os olhos de lágrimas, mas não arrependi um só minuto. Pra comemorar o feito terminamos a noite en El Casino, com boa música e cia. A segunda foi o passeio para as lindas termas Quimey-co, que são como piscinas no meio de um bosque com águas naturalmente quentes, onde relaxei o corpo cansado da escalada do dia anterior e pude recarregar as energias. Vale muito a pena. Aqui fica meu agradecimento ao Felipe, morador de Pucón que topou me apresentar a cidade assim que cheguei, me deu várias dicas e ainda foi no supermercado comigo . Ao Nicolas, que foi nosso guia na subida ao Vulcão e também na bela noite na cidade. E aos trilindos e gaúchos Renata e Paulo Rodrigo, pelas altas aventuras e risadas! Pucón entrou pra minha lista de lugares favoritos, daqueles que devo visitar muitas vezes mais. Agora começo o início do fim, chego em Santiago amanhã cedo, depois de 11 horas de viagem. 

.Santiago.

.resumo de viagem ~ parte 5 (final): você já pensou ser uma pessoa de sorte? Isso é pra mim o que mais define minha viagem: que SORTE! E eu que vim ao Chile em carreira solo, assim não estive em um só momento! Nenhum passeio ou experiência aqui sem uma pessoa especial do lado. Ahhh que sorte! Que linda sorte a minha!

Nessa última parada teve festa de aniversário com duração de 14 horas em Santiago, que começou com churrasco no parque e acabou em um apartamento com muita gente bacana, vinho, cumbia, salsa, reggaetón e dança; teve almoço delicioso na casa de chilenos, teve visita a Valparaiso e ainda rolou uma despedida.

Agradeço a Sebastián e Daniel, os gêmeos mais buena onda que conheci (e a toda sua família que me recebeu lindamente em um almoço de domingo); a Diego e Ruby que me acolheram em sua casa em Valpo (Diego, continua treinando malabares, você é bom!); agradeço também ao Eduardo pela ótima cia nos morros de Valpo e as tentativas culturais, mesmo que frustradas.. rs; a Paulina que também provou e aprovou a vitamina de abacate (palta con leche y azúcar) Uuhh manjaaaaar!; a Andrea pelo ótimo papo (da próxima vez quero fazer aula de tela/tecido junto, cachái?!); novamente a Renata ePaulo Rodrigo, amo vocês! Agradeço especialmente a Camilo, pela acolhida e por todos esses dias lindos! E a todos que conheci e que me enviaram boas energias durante todo o tempo! Sipo!

Ya extraño todo ustedes. Voy a volver pronto! Mucho cariño por todo que viví acá! Mi corazón quedaste en Chile. Yo llevo solo buenos recuerdos.

Trilha sonora da viagem: http://youtu.be/zZjSX01P5dE



***

*Eu já havia visitado o Chile em setembro de 2014, mas por apenas 3 dias. Nessa primeira viagem conheci a vinícola Concha y Toro, pratiquei snowboard no Valle Nevado - com neve caindo o dia todo, andei pelo centro de Santiago e fui no restaurante Giratório. Todos esses rolês valem muito a pena também!. =]