Nos devaneios da madrugada me pego pensando em você, em nós e no tempo.
O tempo medido em horas e também dividido em momentos, fases da vida.
Talvez agora a gente tenha na prática o que no universo simbólico vivenciamos quando o tempo era o nosso.
As diferenças que nos uniu, e por vezes separaram, também tiveram no tempo o seu potencializador, aquele que não pode ser medido precisamente. E a maturidade e consciência que com a distância e "o tempo" somos capazes de desenvolver são, de certa maneira, construídas por eles.
E haja paciência para o tempo.
Haja respiração para controlar a ansiedade que consome quando buscamos respostas que não somos capazes de formular. Haja coragem pra conviver com a incerteza.
O tempo não é mais nosso.
Não agora.
Enquanto um dorme o outro levanta, vive parte do dia. É o desencontro em sua forma mais palpável.
E pensar que atravessar um oceano já não significa dificuldade e que as horas nos relógios poderiam passar a serem as mesmas, desperta angustia, porque sei que o tempo, esse que desejo que voe, não deixa, não passa.
Então aguardo.
Respiro.
E desejo que os des.encontros possam transformar no tangível, de forma numérica mesmo, que possam ser muito mais de dez.encontros por esse mundo afora.
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