sábado, 30 de maio de 2020

.carta ao devaneio do amor.

Eu sempre amei o amor em toda sua dimensão. Eu amo até mesmo a ideia de amor, a profundeza e a presença que ela sugere. Acho que nunca me caiu muito bem o raso... eu gosto de mergulhar, de experienciar com entrega. Confesso que em todos os meus romances um tantinho mais duradouros eu poderia ter dito amar, mas raras vezes foi possível. Eu não saberia avaliar hoje se teria sido exato caso tivesse feito. Mas acredito que há várias formas de amar e, nas formas, várias ideias.

Para você sim, algumas poucas vezes, eu disse Te amo - Te quiero -, mas saiba que muitas vezes mais veio em minha mente ou brotou em meu coração a vontade de expressar sentimento através dessa pequena sentença. Sim, eu poupei amar, eu não mergulhei, aceitei o raso. Difícil explicar, parece que a solitude machuca 
em alguns momentos mais do que em outros. E, das vezes que falei, não esperei mais que um sorriso ou um abraço... palavras, não, essas eu não poderia supor.

Ah, as palavras... quando sopradas ao vento se desfazem com a mesma velocidade que soam de nossas bocas. Mesmo essas que foram escritas na ânsia de resistir, depois de lidas uma ou algumas vezes, serão esquecidas em uma gaveta ou descartadas meio a coisas sem valor, antiquadas e sem serventia... já foi, já era.


E o que são palavras reunidas em uma carta de amor se não devaneios humanos que flutuam no instante?


Já não importa.


O tempo é implacável. Em pouco, talvez nenhuma dessas palavras sejam capazes de demonstrar o sentimento que é, quiçá o afeto presente nesse tempo passado que gasto escrevinhando* para você será capaz. E, pensando bem, acho que nada disso importa mais. Nós perdemos o tempo... já era, 
já foi.

Mesmo assim, o amor r
esiste às estações, ao adeus, às palavras perdidas. Por dias, meses e anos será companheiro. Talvez pequenas coisas me faça recordar dessa época: uma cachoeira, uma foto, um sorriso... um bolo de cenoura, o game no celular, o espanhol da Espanha. Seja como for, lembranças nítidas ou não, esse amor estará em mim, perene.

Confesso que no futuro talvez eu não saiba avaliar sua verdade, mas, sim, seguirei sempre amando a ideia de sua existência. 


Com amor, Paty.



*Escrever sem arte, nem gosto, coisas sem grande importância.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

.CORONóiA.

Acordo todo dia. Há um vírus

É um desafio estar em casa
E é tenso sair dela

Nos meus 52m² há segurança
Mas sufoca

No mercado perigo
Ele pode estar ali.

Ali há olhares desconfiados 
Máscaras. Distância 

A volta no palpitar do coração cessa com a porta quando fecha

Higienização geral
Tira tudo. Limpa tudo

E o respirar aliviado no sufoco dos meus 52m²

Durmo todo dia. Há um vírus

É entorpecedor