Para você sim, algumas poucas vezes, eu disse Te amo - Te quiero -, mas saiba que muitas vezes mais veio em minha mente ou brotou em meu coração a vontade de expressar sentimento através dessa pequena sentença. Sim, eu poupei amar, eu não mergulhei, aceitei o raso. Difícil explicar, parece que a solitude machuca em alguns momentos mais do que em outros. E, das vezes que falei, não esperei mais que um sorriso ou um abraço... palavras, não, essas eu não poderia supor.
Ah, as palavras... quando sopradas ao vento se desfazem com a mesma velocidade que soam de nossas bocas. Mesmo essas que foram escritas na ânsia de resistir, depois de lidas uma ou algumas vezes, serão esquecidas em uma gaveta ou descartadas meio a coisas sem valor, antiquadas e sem serventia... já foi, já era.
E o que são palavras reunidas em uma carta de amor se não devaneios humanos que flutuam no instante?
Já não importa.
O tempo é implacável. Em pouco, talvez nenhuma dessas palavras sejam capazes de demonstrar o sentimento que é, quiçá o afeto presente nesse tempo passado que gasto escrevinhando* para você será capaz. E, pensando bem, acho que nada disso importa mais. Nós perdemos o tempo... já era, já foi.
Mesmo assim, o amor resiste às estações, ao adeus, às palavras perdidas. Por dias, meses e anos será companheiro. Talvez pequenas coisas me faça recordar dessa época: uma cachoeira, uma foto, um sorriso... um bolo de cenoura, o game no celular, o espanhol da Espanha. Seja como for, lembranças nítidas ou não, esse amor estará em mim, perene.
Confesso que no futuro talvez eu não saiba avaliar sua verdade, mas, sim, seguirei sempre amando a ideia de sua existência.
Com amor, Paty.
*Escrever sem arte, nem gosto, coisas sem grande importância.
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